A TRAJETÓRIA DO “ANTROPOCENO” Ciência, “natureza” e emancipação ou: por uma crítica imanente das ciências naturais

Daniel Cunha* Paul Crutzen popularizou o chamado Antropoceno em artigo publicado na revista Nature em 2002, definindo-o como “a época geológica dominada, de muitas maneiras, pelo homem”.

Daniel Cunha*

 

Paul Crutzen popularizou o chamado Antropoceno em artigo publicado na revista Nature em 2002, definindo-o como “a época geológica dominada, de muitas maneiras, pelo homem”. Na época imediatamente anterior, o Holoceno, e todas demais, o estado do sistema planetário era determinado por forças naturais, tais como erupções vulcânicas, variações da órbita terrestre ou efeitos da evolução biológica como o aparecimento dos primeiros organismos fotossintéticos (produtores de oxigênio).  Nesse contexto, cientistas do sistema terrestre alertam que alguns parâmetros que mantinham a estabilidade do estado holocênico, ao qual a civilização moderna está adaptada, já ultrapassaram limites considerados seguros, como o ciclo do nitrogênio e a diversidade genética; outros, como o ciclo do carbono (regulador do clima) se aproximam disso.1 Crutzen estabeleceu como ponto de partida do “Antropoceno” a invenção da máquina a vapor de James Watt no século XVIII, que intensificou a queima de combustíveis fósseis desde então.

     Diversas críticas foram feitas ao conceito de “Antropoceno” com base no falso presssuposto de uma humanidade realizada: assimetrias de classe, de centro-periferia, de gênero, “raça” etc. tornam muito pouco convincente a responsabilização da “humanidade” em geral pelas perturbações do estado do sistema terrestre. Mais do que isso, a própria noção de “domínio” ou “controle” sobre o sistema planetário deve ser questionada. Pois não foi intenção ou plano de nenhum indivíduo, classe ou Estado nacional, por exemplo, o aquecimento global, a acidificação dos oceanos ou a perturbação do ciclo global do nitrogênio. Aqui é central a noção de fetichismo ou alienação, em sua relação com a teoria do valor, em Marx. No último capítulo dos Grundrisse, dedicado ao valor, Marx afirma que “a troca começa (…) ali onde as comunidades terminam – em sua fronteira”.2 É o valor que abre O Capital – no método dialético, a conclusão do modo de investigação abre o modo de exposição. N’O Capital a crítica é imanente, ou seja, mostra-se que a troca mercantil assume centralidade na forma social capitalista. Isto vale desde o nível do indivíduo, que necessita trocar mesmo para sua reprodução mais básica na sociedade da mercadoria. A modernidade capitalista dissolve a comunidade e a aliena no valor, que assume o caráter de mediação universal da vida social. Essa dissolução da comunidade dissolve, também, a unidade entre o “trabalho” e o objeto do “trabalho”, constituindo as abstrações reais “Sociedade” e “Natureza”.

     Nessa forma social determinada pela valorização do valor, como brilhantemente exposto por Moishe Postone, produz-se uma forma de desenvolvimento histórico alienado, pontuado pelo crescimento da composição orgânica do capital. À medida que capitais individuais competem entre si e buscam maior eficiência na valorização do valor, mais a produção se baseia no capital constante e menos no capital variável (trabalhadores), até o ponto em que, como antecipado por Marx nos Grundrisse, a atividade necessária à produção passa a ser de mera supervisão, ao lado do maquinário (capital fixo), tornando o tempo de trabalho uma base mesquinha de mensuração da imensa riqueza produzida pelas forças produtivas desenvolvidas. Como destacado por Jason W. Moore, porém, os leitores de Marx de maneira geral aferram-se apenas ao componente do capital fixo (maquinário) do capital constante, deixando de lado o componente do capital circulante (matérias-primas).3 O capital circulante exerce mediação importante na trajetória da composição orgânica, com a produção de “naturezas históricas” configuradas especialmente para a produção de capital circulante barato. A plantação de cana-de-açúcar no Brasil colonial é exemplo disso, tanto quanto as plantações de algodão no sul dos Estados Unidos no século XIX. Ambas usaram mão de obra escrava e se apropriaram da fertilidade natural do solo nas fronteiras de mercadorias, a fronteira onde a natureza não-capitalizada é apropriada e torna-se parte do circuito do capital.4 As plantações de algodão produtoras de capital circulante barato foram parte constituinte e fundamental da Revolução Industrial, entendida como processo histórico-mundial (e não britânico), como condição de possibilidade para o incremento do capital fixo nas fábricas têxteis inglesas.

     Temos então, uma dialética de controle e descontrole. O capital produz “naturezas históricas” à sua imagem (o que pode incluir o chicote), tanto quanto exerce o “despotismo da produção” (Marx) nas fábricas. Dada a dissolução da comunidade e sua alienação no valor como mediação universal, porém, a totalidade é marcada pelo descontrole.5 Não há plano algum para esquentar o planeta; trata-se simplesmente do resultado impensado da valorização dos muitos capitais individuais no mercado mundial. Uma vez, portanto, que se trata de uma situação marcada por determinantes historicamente específicos, Jason W. Moore e outros propõe que essa época deve ser chamada de Capitaloceno, abandonando-se qualquer traço de a-historicidade, o que de fato parece ser mais correto.6

     A ciência durante o Capitaloceno, assim, é uma ciência desenvolvida para subjugar a natureza como “substrato de dominação”.7 O capital promove o estudo e a compreensão das “leis” da natureza (química, física, biologia etc.) para que possa aplicá-las para a produção de mercadorias, de maneira regular, controlada e previsível. Nesse processo, como descrito por Marx, à medida que as forças produtivas avançam, constitui-se o “intelecto geral”, a força produtiva social que se realiza enquanto conhecimento e atividade de supervisão do maquinário, mais do que como processo imediato de trabalho.8 Ocorre que para que o capital possa empregar as “leis da natureza” para a produção de mercadorias, ele é obrigado a lidar com a “resistência da matéria”, matéria essa que, ao contrário do valor de troca que predomina a produção capitalista, não é fungível, é dotada de propriedades sensíveis específicas. A “ciência” que reduz a natureza a “substrato de dominação”, então, contém em si, em germe, a possibilidade de uma forma diferente de relação com a “natureza”. Isso se expressa inclusive na “aplicabilidade” dessas ciências; a ciência que permite a construção de máquinas a vapor e motores eficientes, por exemplo (termodinâmica), é a mesma ciência básica para o entendimento do aquecimento global. O esbulho do solo pela agricultura capitalista propiciou o desenvolvimento da ciência do solo e de métodos de regeneração da fertilidade.9 De maneira que o “intelecto geral” permitiu um monitoramento do sistema terrestre que não deixa de ser espantoso: estações meteorológicas, satélites, boias oceânicas de monitoramento, métodos de análise e modelos matemáticos de todo tipo rodando em supercomputadores permitem tabelar e plotar com relativa facilidade o estado do sistema planetário em seus diferentes compartimentos (atmosfera, oceanos, biomas…) e suas interações em diferentes escalas.

     Ocorre que este “conhecimento planetário” é um conhecimento separado: a alocação de recursos segue sendo determinada pelo valor. O que se tem agora são algoritmos automatizados que operam em bolsas de valores e mercados em geral que atuam exclusivamente baseados em sinais de preço. É assim que são alocados os recursos (produção e distribuição), sem nenhuma mediação com o enorme conhecimento geosférico acumulado. Quando muito, se tem “regulações” post-festum, com estudos de impacto ambiental para a “mitigação” dos efeitos mais nocivos, desde que não comprometam a valorização do valor. Hans-Joachim Schellnhuber, renomado cientista do clima alemão ex-assessor de Angela Merkel (um conservador), em interessante artigo publicado em 1998, propôs que os modelos matemáticos e dados de monitoramento do sistema planetário fossem efetivamente usados para controlar a totalidade do sistema terrestre. A isso ele chamou de “geocibernética”. Schellnhuber inclusive sugere que isso seria a emergência de um “sujeito global” e faz referência ao Weltgeist hegeliano. Sem dúvida uma “geocibernética” comandada por governos conservadores em estados capitalistas sob a premissa da continuidade da valorização do valor é uma ideia inquietante e temerosa. Mas Schellnhuber teve o mérito de perceber o descontrole da totalidade planetária e as (já existentes) condições de possibilidade para o seu controle. Cabe a uma teoria crítica não uma rejeição romântica ou reacionária desse tipo de proposta, mas a sua crítica imanente.

     A ficção científica pode nos oferecer alguma inspiração de como a ciência pode ser usada (e reconfigurada) para além do valor. Bogdanov, em seu livro Estrela Vermelha de 1908, imaginou um sistema estatístico que distribuiria o “trabalho” necessário entre todos, de acordo com as suas aptidões e preferências. O sistema estatístico tornaria possível que todo indivíduo pudesse ser alocado a uma atividade de seu interesse, bem como que toda atividade necessária fosse alocada a algum interessado.10 Evidentemente, isso pressupões uma comunização (terra e meios de produção), de tal forma que não haveria requisito de tempo de trabalho. Seria uma espécie de realização do comunismo vislumbrado por Marx e Engels n’A Ideologia Alemã, quando o indivíduo poderia ser caçar, pescador, pastor ou crítico, sem necessidade de fixar-se a nenhuma das atividades como “profissão”.11 Ou, ainda, a realização do mote da Crítica do programa de Gotha: “De cada um segundo suas capacidades, a cada um segundo suas necessidades!”12 Mas o que é o sistema estatístico imaginado por Bogdanov senão o “big data” pensado, antecipadamente, com finalidades emancipatórias? O que não seria possível com a capacidade computacional do século XXI?

     Em Bogdanov, ainda estamos no campo da ontologia do “trabalho”. Hoje, a questão que se coloca é ir além dele. Aqui outro autor que pode nos inspirar é Kim Stanley Robinson, em seu livro 2312, publicado em 2012. Robinson imagina um sistema de produção e alocação de recursos no qual, após a “mediação política dos desejos”, todo o cálculo “econômico” seria efetuado por um supercomputador.13 A “política”, assim, se apropriaria daquilo que hoje é dominado pela “indústria cultural”, e as questões técnicas seriam resolvidas computacionalmente de maneira otimizada, da produção de energia à reciclagem, das formas de distribuição à extração de matérias-primas. O cenário de Robinson é o sistema solar, mas podemos pensar na escala planetária. De fato, dada uma comunização da terra e dos meios de produção, é perfeitamente imaginável que os dados de monitoramento e os modelos matemáticos do sistema planetário sejam efetivamente utilizados na produção e alocação de recursos, ao invés de serem conhecimento separado; conjuntamente com a “mediação política dos desejos”, estes fariam o papel que hoje é deixado aos algoritmos automatizados do mercado, a expressão acabada do “sujeito automático” (Marx).

     Concluo com duas observações. Primeiramente sobre a “escassez”, que motiva muitos propositores de uma supostamente necessária “austeridade” ambiental a-histórica. A escassez é historicamente produzida. A quantidade de energia solar irradiada sobre o planeta é mais do que dez vezes aquela consumida globalmente hoje. Com energia e métodos de reciclagem de materiais eventualmente raros (que existem), é possível uma riqueza material abundante e “sustentável”, bastando o manejo racional. Finalmente: é um tanto surpreendente que as críticas marxistas e de “esquerda” do conceito de “Antropoceno” sejam, em geral, pouco dialéticas. Sem dúvida, a “humanidade” não existe na modernidade capitalista, com suas fraturas, antagonismos e alienação; a crítica é correta. Não se pode esquecer, porém, que o projeto comunista trata da realização desse ainda-não: se o capital aliena o ser-genérico (Gattungswesen), como diria o jovem Marx, o comunismo é a realização desse ser-genérico, dessa humanidade, finalmente. Essa seria a reapropriação da humanidade alienada, incluindo o “meio” nessa comunidade (“Natureza”), com o qual a humanidade viria efetivamente e racionalmente a estar “no controle”, mas com critérios muito distintos daqueles da valorização do valor, produzindo “naturezas históricas” muito diversas.14 Como diria novamente o jovem Marx, “Este comunismo é, enquanto naturalismo consumado = humanismo, e enquanto humanismo consumado = naturalismo. Ele é a verdadeira dissolução do antagonismo do homem com a natureza e com o homem”.15

     Esse é o núcleo emancipatório do “Antropoceno” que, se parece estar definitivamente soterrado sob o peso avassalador do Capitaloceno produtor de crises e catástrofes, precisa ser politicamente articulado.

Notas:

1 – Rockstrom et al (2009).

2 – Marx (2011), 756-7.

3 – Moore (2015), 92-94.

4 – Trata-se aqui do problema da reprodução ampliada do capital, tal como elaborado por Marx no segundo volume d’O capital, discutido por Rosa Luxemburgo e atualizado por Jason W. Moore com o conceito de “fronteira de mercadoria”. Sobre este último, ver Moore (2000) e Moore (2015, cap. 2).

5 – Essa dialética entre controle e descontrole mediada pela escala foi percebida por Campagne (2017), em estudo comparativo sobre as concepções do Antropoceno de Jason W. Moore, Andreas Malm e deste autor.

6 – Moore (2017); Malm e Hornborg (2014).

7 – Adorno e Horkheimer (1985), 21.

8 – Marx (2011), 589.

9 – Como já destacado por Marx na sua famosa discussão sobre a agricultura capitalista: “ao mesmo tempo em que [a predominância crescente da população urbana] destrói as condições desse metabolismo [entre o homem e a terra] (…) a produção capitalista obriga que ele seja sistematicamente restaurado em sua condição de lei reguladora da produção social e numa forma adequada ao pleno desenvolvimento humano.” Essa restauração não impede o “esgotamento das fontes duradouras dessa fertilidade” (Marx 2013, cap. 13, seção IV, 10), mas propicia o desenvolvimento da ciência do solo, no tempo de Marx representada pelo químico alemão Justus von Liebig, lido atentamente por ele. Marxistas que enfatizam essa “ruptura metabólica” em geral negligenciam o desenvolvimento dos métodos de restauração da fertilidade aludidos por Marx, que o capital é obrigado a desenvolver devido à resistência da matéria.

10 – Bogdanov (1984), 62-68.

11 – “… na sociedade comunista, onde cada um não tem um campo de atividade exclusivo, mas pode aperfeiçoar-se em todos os ramos que lhe agradam, a sociedade regula a produção geral e me confere, assim, a possibilidade de hoje fazer isto, amanhã aquilo, de caçar pela manhã, pescar à tarde, à noite dedicar-me à criação de gado, criticar após o jantar, exatamente de acordo com a minha vontade, sem que eu jamais me torne caçador, pescador, pastor ou crítico.” (Marx 2007, 38).

12  –  Marx (2012), 31-32.

13 – Robinson (2012), 124.

14 – Ver a seção sobre o trabalho alienado (ou estranhado) em Marx (2004), 79-90. Sobre a continuidade entre a teoria da alienação no jovem Marx e a teoria do valor/fetichismo n’O Capital, ver, por exemplo, Colletti (1975).

15 – Marx (2004), 105.

 

Referências:

Adorno, T. e M. Horkheimer. 1985. Dialética do esclarecimento. Trad. G. A. Almeida. Zahar, Rio de Janeiro.

Bogdanov, A. 1984. Red Star: the first Bolshevik utopia. Trans. C. Rougle. Indiana University Press, Bloomington.

Campagne, Armel. 2017. Le capitalocène: aux racines historiques du dérèglements climatique. Divergences, Paris.

Colletti, Lucio. 1975. Introduction. Trans. T. Nairn. Pp. 7-56 in Early writings, K. Marx. New York: Vintage.

Crutzen, P. 2002. The geology of mankind. Nature 415, 23.

Cunha, D. 2015a. O Antropoceno como fetichismo. Continentes 4(6), 83-102.

_____. 2018. The Rise of the Hungry Automatons: The Industrial Revolution and Commodity Frontiers. Area Paper. PhD in Sociology, Binghamton University.

Kurz, R. 2018. A crise do valor de troca. Trad. A. V. Gomez e M. Barreira. Consequência, Rio de Janeiro.

Malm, A. e A. Hornborg. 2014. The geology of mankind? A critique of the Anthropocene narrative. The Anthropocene Review 1(1), 62-69.

Marx, K. 2004. Manuscritos econômico-filosóficos. Trad. J. Ranieri. Boitempo, São Paulo.

_____. 2011.  Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-1858. Trad. M. Duayer e N. Schneider. Boitempo, São Paulo.

_____. 2012. Crítica do programa de Gotha. Trad. R. Enderle. Boitempo, São Paulo.

_____. 2013. O capital: crítica da economia política. Livro I. Boitempo, São Paulo.

Marx, K. e F. Engels. 2007. A ideologia alemã. Trad. R. Enderle, N. Schneider, L. C. Martorano. Boitempo, São Paulo.

Moore, J. W. 2000. Sugar and the expansion of the early-modern world-economy: commodity frontiers, ecological transformations and industrialization. Review XXIII (3), 409-433.

_____. 2015. Capitalism in the web of life: ecology and the accumulation of capital. Verso, New York.

_____. 2017. The Capitalocene, part I: on the nature and origin of our ecological crisis. The Journal of Peasant Studies 44(3), 594-630.

Postone, M. 2014. Tempo, trabalho e dominação social: uma reinterpretação da teoria crítica de Marx. Boitempo, São Paulo.

Robinson, K. S. 2012. 2312. Orbit, New York.

Rockstrom, Johan et. al. 2009. A safe operating space for humanity. Nature 461, 472-475.

Schellnhuber, H.-J. e J. Kropp. 1998. Geocybernetics: controlling a complex dynamical system under uncertainty. Naturwissenschaften 85, 411-425.

 

* Daniel Cunha é doutorando em sociologia (SUNY-Binghamton), mestre em ciência ambiental (UNESCO-IHE), engenheiro químico (UFRGS). Co-editor da revista Sinal de Menos (www.sinaldemenos.org).

[Texto de base da participação no colóquio “Ciência e a hipótese comunista”, Centro de Estudos da Ideia e da Ideologia, Rio de Janeiro, 13 julho de 2018 (https://www.ideiaeideologia.com/ciencia-e-a-hipotese-comunista).]

 

0 comentário em “A TRAJETÓRIA DO “ANTROPOCENO” Ciência, “natureza” e emancipação ou: por uma crítica imanente das ciências naturais

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: