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BOLSONARISMO E “CAPITALISMO DE FRONTEIRA”

A ascensão de Jair Bolsonaro e sua agenda política que mescla ultraliberalismo econômico com racismo, misoginia, homofobia, xenofobia e militarismo (incluindo apologia da ditadura e da tortura) tem provocado tanto inquietação política quanto desamparo teórico. De um lado, faz-se a necessária denúncia, com ensaios de mobilização antifascista e a necessária campanha do #elenão liderada pelas mulheres; de outro, aparecem as relações com o fascismo histórico e com outras figuras políticas contemporâneas, como Trump nos Estados Unidos, Orban na Hungria ou Erdogan na Turquia.

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O ESTADO DE EXCEÇÃO É RELIGIOSO E MILITARIZADO

A origem etimológica do termo “abandono” reside na palavra bando. Com efeito, abandono consistia em uma prática humana primitiva de aplicação das leis em certos grupos sociais, bandos, em que os indivíduos condenados não eram exilados, nem deveriam cumprir alguma pena imediata, ou mesmo se submeter ao rigor direto do líder tribal. Os condenados, contrariamente, permaneceriam acompanhando seu clã, mas não mais sujeitos à aplicação das leis do grupo. Abandonados pelas regras vigentes, tornavam-se passíveis de sofrer qualquer violência por outros componentes. Eles estariam ao mesmo tempo dentro e fora daquele sistema legal, subordinados às leis do grupo por meio da sua exclusão.

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NOTAS SOBRE O FASCISMO, O DE ONTEM E O DE HOJE

Há cerca de um século, o fascismo surgiu como uma consequência da crise do liberalismo clássico. Muitos argumentam que o avanço autoritário, em todo o mundo, é hoje uma resposta à crise do neoliberalismo. Essa afirmação precisa ser criticada, no sentido de trazer seu núcleo de exatidão à superfície.

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BOLSONARO: UMA AMEAÇA ATÉ AOS CONSERVADORES

Parte da sociedade brasileira tem vivido em um estado de tão profunda recusa da racionalidade que não mais consegue distinguir conservadorismo e fascismo, não percebendo que o fascismo significa uma ameaça até mesmo à parte significativa dos conservadores. O século XX nos deixou esse central ensinamento, explicitado, por exemplo, nas barbáries alemã e italiana, no arrependimento profundo da maioria das pessoas que inicialmente enxergou no discurso do fascismo uma solução, e na união entre socialistas e capitalistas, na verdade a ampla união entre progressistas e conservadores, para enfrentar e derrotar esse monstro hediondo que é o fascismo.

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SOBRE GOLPE, FASCISMO E ELEIÇÕES

Desde 2014 se percebe em nosso país a convergência entre o chamado antipetismo e uma escalada da difusão de ideias e práticas autoritárias, persecutórias, violentas, racistas, machistas e homofóbicas. É muito preocupante perceber que a “nova direita brasileira” está fazendo escola em nosso meio, conquistando legitimidade ideológica com uma estratégia de rejuvenescimento que mescla o uso de um transado e atual visual geekhispter ou “o alternativo que o valha”, com uma versão extremamente cínica, rasa e pedestre da crítica ao “politicamente correto”, amparada pelo poder catalizador de viralização “memética” das redes sociais.

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BOLSONARO PARA QUÊ? SOBRE A ASCENSÃO DA EXTREMA-DIREITA NO BRASIL

A crise atual é uma crise das bases fundantes das economias capitalistas. Ela não começou em 2007-2008, ela se revelou ali, mas precisamente como nos mostra a língua, ela se re-velou também, voltou a tornar-se escondida no alarde de suas consequências imediatas. A crise insiste em parecer apenas um desarranjo provisório da relação entre as finanças e o setor produtivo do capitalismo, que podem ser rearranjados para dar continuidade a um modo de crescimento econômico saudável.

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VOLVER!

A separação rígida entre vida militar e vida civil, segundo David Bell, surgiu apenas após a Revolução Francesa de 1789. Tudo indica que esta se tornou uma tendência sem volta da sociedade burguesa. No Antigo Regime, comenta ainda Bell, a vida de um militar se misturava com aventuras, galanteios e poesia que a disciplina da mobilização total e o profissionalismo da guerra não pode comportar. O militarismo, que desde então tem marcado a história do capitalismo, faz desta separação uma força propulsora diante de situações de exceção.

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