O livro POR UMA GEOGRAFIA DAS TERRITORIALIDADES E DAS TEMPORALIDADES ganha uma 3ª edição, com seu texto revisado e ampliado. Uma obra de Marcos Aurelio Saquet, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.
O célebre geógrafo Claude Raffestin escreve para o prefácio do livro
A geografia brasileira, mais consciente que outras, sabe onde residem as coisas essenciais e onde se encontram os conceitos dos quais falar. Marcos Saquet, partindo dos conceitos de território, territorialidade e temporalidade, demonstra, com segurança, que a Terra e o espaço estão ameaçados. Ele não o diz expressamente, mas deixa-o subentendido, sendo percebido naturalmente. Mas essa Terra, que constitui as bases da nossa vida e na qual as civilizações enraizaram seus mitos, nós provavelmente a esquecemos e nos recusamos a enxergar que a ameaçamos um pouco mais a cada dia. A Terra é oferecida – não dada – aos homens, que nela constroem territórios nos quais, “armados” de territorialidades, que são igualmente sistemas de relações, agem de acordo com temporalidades complexas. […] Marcos estuda, em seu livro, os territórios, as territorialidades e as temporalidades. Ele compreendeu que uma geografia contemporânea deve passar pelos conceitos que ele escolheu analisar por meio de uma série de autores. Ele compreendeu, ademais, que o território, por sua ambivalência, com sua dupla-face, de um lado a construção e de outro a destruição, é o conceito mais eminentemente geográfico que cristaliza as realidades materiais e imateriais que os homens manipulam em todas as
suas relações de poder.

Sobre o livro
Esta obra contém os principais resultados de um processo de pesquisa, ensino e extensão universitária, isto é, foi escrita a partir da nossa práxis de trabalho e, assim, cada capítulo foi pensado e construído na tentativa de ampliar a complexidade dos temas tratados. Consideramos, evidentemente, a possibilidade deste texto ser utilizado em sala de aula e de subsidiar o debate inerente aos processos de desenvolvimento territorial de base local.(…) Então, parece-nos que prefaciar uma obra que chega à sua 3ª Edição, tendo em vista a direção político-cultural da práxis que sempre nos esforçamos para realizar, é ainda mais relevante, justamente porque estamos tentando refletir e demonstrar possibilidades para in(sub)verter processos educativos e de pesquisa claramente mascarados e (meta)narrativos, hegemônicos e opressores, academicistas e domesticadores, em muitas situações, inadequadas com a realidade pesquisada. Estes processos acadêmicos e científicos acabam contribuindo, histórica e (i)materialmente, para reproduzir a dominação social e territorial, cultural e política, econômica e ambiental, de estudantes, indígenas, pescadores familiares, camponeses, operários, professores, quilombolas etc., (in)formados como se fôssemos naturalmente inferiores, subalternos, incapazes de pensar e criar, de produzir uma ciência própria, a soberania alimentar, processos produtivos sustentáveis etc. Parece que, fora da universidade, não há possibilidade de produzir conhecimento e, muito menos, ciência! Assim, normalmente, em vez de contribuirmos e(a)fetivamente para a libertação humana, acabamos reproduzindo modelos, teorias, concepções, imitações, sem criatividade e coprodução de conhecimentos mais úteis para nosso povo. (…)
Sobre o Autor
Marcos Aurelio Saquet – Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Brasil. Geógrafo, educador e militante popular, autor de diferentes livros publicados em português, espanhol, inglês e italiano, bem como de vários artigos científicos socializados em revistas nacionais e estrangeiras; professor visitante de diferentes universidades do México, da Itália, da Costa Rica, da Argentina e da Colômbia; cooperador em diversos projetos de pesquisa-ação-participativa efetivados com camponeses e moradores da periferia urbana; pesquisador do CNPq.

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