O Legado de Carlos Walter Porto-Gonçalves

Carlos Walter Porto-Gonçalves [21/07/1949 – 06/09/2023] foi um geógrafo reconhecido e aclamado internacionalmente, um dos intelectuais mais importantes da América Latina.

Formado pela UFRJ em 1972, concluindo também seu mestrado e doutorado na mesma instituição em 1985 e 1998, respectivamente. Ele iniciou sua carreira com um trabalho em Campos dos Goytacazes, no Norte fluminense, onde analisou a secagem da Lagoa Feia, vital para uma comunidade pesqueira local.

Foi companheiro de luta de Chico Mendes (seringalista brutalmente assassinado em 1988), apoiou os “empates” (movimentos organizados pelos seringueiros para impedir derrubadas dos seringais) e a criação das Reservas Extrativistas.

A sua trajetória como geógrafo e sujeito foi marcadamente militante, com comprometimento fiel à construção de uma Geografia da práxis revolucionária.

Tornou-se professor titular da UFF em 1987, onde permaneceu até sua aposentadoria em 2019. Na década de 1980, esteve envolvido na Convergência Socialista, e sua trajetória política posterior se inclinou ao movimento Zapatista mexicano e à incorporação de elementos de(s)coloniais em seu fazer acadêmico. Foi presidente da Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB de 1998 a 2000.

Destacou-se pela publicação de “Os (des)caminhos do meio ambiente” (Contexto, 1989), “Amazônia, Amazônias” (idem, 2001); “A Globalização da Natureza e a Natureza da Globalização” (Civilização Brasileira, 2006) e “Amazônia: encruzilhada civilizatória. Tensões territoriais em curso” (Consequência Editora, 2017).

Recebeu o Prêmio Chico Mendes em Ciência e Tecnologia em 2004 e o Prêmio Casa de las Américas em 2008, além do Prêmio Milton Santos outorgado durante o Encontro de Geógrafos da América Latina (EGAL) em 2019.

Carlos Walter definiu sua atuação em relação à Amazônia como uma política dentro do processo de constituição social, contribuindo diretamente no diálogo de saberes com os povos que tradicionalmente ocuparam a Amazônia.

Do ponto de vista teórico-prático buscou superar a separação sociedade-natureza, a dicotomia espaço-tempo, o evolucionismo de uma visão linear da história, e a superação do etnocentrismo da colonialidade do poder-saber.

Esse texto foi elaborado segundo as fontes:

G1 Globo. (2013, 19 de dezembro). “Matavam gente aqui como quem mata inseto”, lembra ex-seringueiro [Artigo de notícias]. Globo.com. https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2013/12/matavam-gente-aqui-como-quem-mata-inseto-lembra-ex-seringueiro.html

Mejía Ayala, W. (2020). Água enquanto disputa epistêmica e política para além dos três estados da água – Entrevista com o professor Carlos Walter Porto-Gonçalves. Perspectiva Geográfica, 25(2), 144–162. https://doi.org/10.19053/01233769.11540

Operamundi. (2023, 7 de setembro). Geógrafo Carlos Walter Porto-Gonçalves morre aos 74 anos em Florianópolis. Opera Mundi. https://operamundi.uol.com.br/obituario/82692/geografo-carlos-walter-porto-goncalves-morre-aos-74-anos-em-florianopolis

Porto-Gonçalves, Carlos Walter. Amazônia: Encruzilhada civilizatória. Rio de Janeiro: Consequência Editora, 1 ed. 2017.

Universidad de Chile. (Ano, dia de mês). FAU despide a Carlos Walter Porto-Gonçalves. Universidad de Chile. https://uchile.cl/noticias/209071/fau-despide-a-carlos-walter-porto-goncalves

Wikipedia. (s.d.). Carlos Walter Porto-Gonçalves. Recuperado de https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Walter_Porto-Gon%C3%A7alves

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