ENTRE URGÊNCIAS E UTOPIA

“As urgências e as escalas de ação encaminham-nos para a ideia de espaço em movimento, tão cara a Lefebvre. O espaço em permanente processo de refazer-se, remete-nos à ação multiescalar dos sujeitos sociais que nele atuam, num movimento perpétuo, que nos coloca questões a respeito desse processo e das desigualdades nele produzidas em acordo com os jogos de poder expressados em crescentes hierarquizações.”

O livro “ENTRE URGÊNCIAS E UTOPIA: MÚLTIPLAS ESCALAS DA AÇÃO” nos coloca a questão: Que mundo estamos a construir? Essa coletânea é fruto do VI SIMPÓSIO INTERNACIONAL METROPOLIZAÇÃO DO ESPAÇO, GESTÃO TERRITORIAL E RELAÇÕES URBANO-RURAIS (SIMEGER).

Publicado em 2023 pela Consequência Editora a coletânea, além de textos dos organizadores – Alvaro Ferreira, João Rua e Sandra Lencioni -, conta com trabalhos de Ana Fani Alessandri Carlos, Rogério Haesbaert, Carlos Brandão, Bernardo Agueda, Marcelo Lopes de Souza, Henri Acselrad, Bianca Imbiriba Bonente, Paulo Cesar Xavier Pereira, Jeroen Klink, Lucia Shimbo e Daniel Sanfelici, Augusto César Pinheiro da Silva, Rosangela M. Luft, Ivaldo Lima, Jorge Luiz Barbosa, Lino Teixeira, Aruan Braga e Karoline Barbosa, Nilza Rogéria de Andrade Nunes, José Borzacchiello da Silva, Regina Tunes, e Rafael Soares Gonçalves e Leandro Benmergui.

Confira o sumário completo:

Sumário

Introdução

  • Conciliar urgências e utopia. Um grande, mas necessário desafio (uma introdução), por Alvaro Ferreira, João Rua e Sandra Lencioni (organizadores)

PARTE 1. ENTRE URGÊNCIAS E UTOPIA. BUSCANDO CONCILIAR ESSAS DIMENSÕES

  • Entre o presente e o futuro. A tríade urgência-direitos-utopia, por Ana Fani Alessandri Carlos
  • Animar localmente prefigurações de futuros desejados. Da inovação social à transformação societal, por João Ferrão
  • Entre urgências e utopia. Espaço e tempo, proximidade e ação; tão longe… Tão perto, por Alvaro Ferreira

PARTE 2. A ESCALA REGIONAL COMO MEDIAÇÃO ENTRE URGÊNCIAS E UTOPIA

  • Desafios para uma abordagem regional integradora em perspectiva descolonial, por Rogério Haesbaert
  • A escala regional como mediação. Pautas hegemônicas e outras perspectivas, por Carlos Brandão

PARTE 3. DESENVOLVIMENTO, ΜΕΙΟ AMBIENTE E ESCALA DA AÇÃO

  • A irresistível expansão do Ocidente. Encontros e confrontos. Epistemes distintas, demandas confluentes. Isso é possível?, por João Rua e Bernardo Agueda
  • “Pensar globalmente, agir localmente”? A difícil multiescalaridade da luta por justiça ambiental, por Marcelo Lopes de Souza
  • Sobre escalas, freios e direções do desenvolvimento, por Henri Acselrad
  • Desumano, demasiado desumano. Desenvolvimento capitalista, emergência climática e escalas de ação, por Bianca Imbiriba Bonente

PARTE 4. PRODUÇÃO DO ESPAÇO E FINANCEIRIZAÇÃO. COMO ESCAPAR DA LÓGICA ATUAL DE FUNCIONAMENTO DO CAPITALISMO?

  • Produção do espaço. Caminhos para escapar da lógica atual da financeirização, por Paulo Cesar Xavier Pereira
  • Estado, cidade e moeda. Levando a espacialização da economia heterodoxa para o próximo nível, por Jeroen Klink
  • Desativar o ativo e ativar a contradição. A financeirização urbana em perspectiva, por Lucia Shimbo e Daniel Sanfelici

PARTE 5. O PAPEL DA GOVERNANÇA NAS POLÍTICAS DE CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZO

  • Necesidad y dilemas de la gobernanza metropolitana, por Oriol Nel-lo
  • Governanças metropolitanas sustentáveis no Brasil. O Rio de Janeiro em foco, por Augusto César Pinheiro da Silva
  • A governança nas políticas de mobilidade urbana na região metropolitana do Rio de Janeiro, por Rosangela M. Luft

PARTE 6. O GRITO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS. ENTRE DISCURSOS PROGRESSISTAS, CONSERVADORES E REACIONÁRIOS

  • Movimento social urbano e economia de plataforma. Por uma antigeopolítica dos corpos sensíveis, por Ivaldo Lima
  • Movimentos sociais, ações de solidariedade e direito à vida em territórios populares no contexto da pandemia do covid-19 na cidade do Rio de Janeiro, por Jorge Luiz Barbosa, Lino Teixeira, Aruan Braga e Karoline Barbosa
  • Mulher de favela. Ativismo social e político, por Nilza Rogéria de Andrade Nunes
  • Oito de janeiro de 2023. Tentativa de insurgência fracassada na Praça dos Três Poderes, por José Borzacchiello da Silva

PARTE 7. OCUPAÇÕES, IMIGRANTES, REFUGIADOS, TRABALHO INFORMAL E A ESCALA DA URGÊNCIA DA AÇÃO

  • A questão do trabalho informal, ocupações do espaço público e a escala da urgência da ação, por Regina Tunes
  • A distopia urbana carioca e o urbanismo miliciano, por Rafael Soares Gonçalves e Leandro Benmergui

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Este livro é fruto do VI SIMPÓSIO INTERNACIONAL METROPOLIZAÇÃO DO ESPAÇO, GESTÃO TERRITORIAL E RELAÇÕES URBANO-RURAIS que ocorreu entre 03/10 e 07/10 de 2022, sediado pela PUC-Rio. Várias conferências estão disponíveis no canal de YouTube do NEPEM.
Sobre o livro: 

As urgências e as escalas de ação encaminham-nos para a ideia de espaço em movimento, tão cara a Lefebvre. O espaço em permanente processo de refazer-se, remete-nos à ação multiescalar dos sujeitos sociais que nele atuam, num movimento perpétuo, que nos coloca questões a respeito desse processo e das desigualdades nele produzidas em acordo com os jogos de poder expressados em crescentes hierarquizações. Um espaço dessa maneira matizado obriga-nos a perguntar para onde vamos caso se mantenham as atuais condições de reprodução social. Pensar esse questionamento impõe olhar para frente, ir além da crítica às espacializações da sociedade atual, elaborar críticas com a intenção de transformá-las, sonhar outros horizontes possíveis. (…) Acreditamos que não é possível avançarmos na proposta de construção de realidades outras sem conciliar urgências e utopias, pois com tamanha desigualdade no acesso, inclusive, ao mínimo para a própria vida, como esperar o engajamento dessa enorme parcela da população na luta por um projeto de longo prazo há também uma preocupação com a aproximação junto aos movimentos sociais e aos órgãos de governo. Até porque não é possível pensarmos em urgências e utopia sem tal aproximação. E isso não significa perder o olhar crítico; ao contrário, significa pressionar o poder público, fazer pontes e lutar por maior capilaridade na participação social. É necessário trabalharmos pela abertura de canais de participação e de interlocução. Não é possível conviver e acreditar no sucesso de formas de planejamento centralizado. Precisamos idealizar e propor formas de participação popular cada vez mais intensas e mirando a autogestão. Mais do que parcerias público-privadas, precisamos de parcerias público-comunitárias; essas sim devem ser priorizadas e incentivadas. A utopia de um mundo melhor começa no presente, o projeto de futuro começa agora. Mas no caminho em direção à utopia teremos de ter em conta os problemas e dilemas urgentes e que precisam ser resolvidos já. São muitos os desafios e este livro procura dar uma contribuição para essas questões.

Sobre os organizadores: 

ALVARO FERREIRA é pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 1D e Pesquisador FAPERJ-Cientista do Nosso Estado. Possui graduação em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1996), mestrado em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999) e doutorado em Geografia (Geografia Humana) pela Universidade de São Paulo (2003). Realizou Pós-Doutoramento com o Prof. Horacio Capel na Universitat de Barcelona. É Professor Adjunto do Departamento de Geografia e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Professor Associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É líder do grupo de pesquisa denominado Núcleo de Estudos e Pesquisa em Espaço e Metropolização (NEPEM). 

JOÃO RUA possui graduação em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestrado em Geografia (Geografia Humana) pela Universidade de São Paulo e doutorado em Geografia (Geografia Humana) pela Universidade de São Paulo (2003). Atualmente é professor emérito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e professor adjunto aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Como pesquisador tem se preocupado com questões relacionadas ao Desenvolvimento (In)sustentável, às Relações Urbano-Rurais (Urbanidades no Rural) e às sustentabilidades geográficas desiguais, que lhe permitiram orientar expressivo número de estudantes, desde a graduação ao mestrado e doutorado, além de participar de eventos nacionais e internacionais e contribuir para a difusão do conhecimento geográfico de forma significativa. 

SANDRA LENCIONI é geógrafa, professora titular sênior da USP e professora do programa de pós-graduação da PUC-Rio, é Pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 1A. Seus títulos de bacharel, licenciada, mestre e doutora são da Universidade de São Paulo e seu pós-doutorado foi efetuado na Universidade de Paris I (Pantheon-Sorbonne). Criou o Laboratório de Estudos Regionais em Geografia (LERGEO/USP), é editora do Blog Economía Politica Urbana cuja sede é no Colégio del Mexico. Orientou cerca de 50 teses e participou de cerca de 300 de bancas de teses, de dissertações, de qualificações de doutorado e mestrado e de concursos públicos. Publicou cerca de 100 textos como artigos de periódicos, anais de eventos, capítulos de livros e livros e participou de cerca de 250 eventos científicos. Recebeu o prêmio Eidorfe Moreira de Geografia Regional pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. Dentre seus livros cabe destacar o livro Metrópole, Região e Regionalização, que recebeu Menção Honrosa pela ANPUR  Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional.

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