Recentemente, a postura do presidente Lula em relação à Ditadura Civil-Militar brasileira às vésperas dos 60 anos do golpe de 1964 é a polêmica, desde ontem, para sermos mais exatos. Muitos intelectuais têm considerado incoerente tal postura, especialmente após o veto do presidente a um evento planejado pelo Ministério dos Direitos Humanos sobre o tema.
Lula afirmou que o golpe de 1964 já é parte da história e que é hora de seguir em frente. Ele disse em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar:
“Eu, sinceramente, vou tratar da forma mais tranquila possível. Eu estou mais preocupado com o golpe de 8 de janeiro de 2023 do que com 64. Eu tinha 17 anos de idade, estava dentro da metalúrgica Independência quando aconteceu o golpe de 64. Isso já faz parte da história. Já causou o sofrimento que causou. O povo já conquistou o direito de democratizar esse país […] O que eu não posso é não, sabe, tocar a história pra frente, ficar remoendo sempre, ficar remoendo sempre.”
Fonte – https://www.nexojornal.com.br/podcast/2024/03/21/ditadura-militar-brasil-60-anos-celebracao
César Novelli, historiador e integrante do Núcleo de Preservação da Memória Política, em entrevista ao Brasil de Fato, argumenta que a falta de acerto de contas com o passado ditatorial está de maneira intrínseca ligada à violência estatal atual, além das regalias oferecidas a classe militares.
É imprescindível manifestar o repúdio à recente tentativa de golpe ocorrida logo após a posse do atual governo, em 8 de janeiro de 2023, e acompanhar de perto as investigações dos Atos Golpistas, que estão próximas de indiciar Bolsonaro. No entanto, é pertinente observar que os eventos ocorridos em 8 de janeiro são sintomáticos de um país imerso em intenso conflito político-ideológico e que, lamentavelmente, não enfrentou de maneira eficaz os legados de uma ditadura civil-militar profundamente opressiva. Este contexto permite que, atualmente, políticos se sintam à vontade para enaltecer torturadores com uma naturalidade preocupante.
Portanto, é inaceitável conciliação com a memória da ditadura, incluindo a falta de punição para os agentes do Estado envolvidos em atrocidades durante esse período. Isso é um desrespeito com as inúmeras famílias e amigos que perderam entes queridos durante a repressão.
Dito isso, relembramos alguns títulos publicados que se concentram na temática da Ditadura Civil-Militar brasileira.
Mais informações sobre os títulos em
www.consequenciaeditora.com.br





