Edson Luís, presente! Um símbolo da luta estudantil

Hoje, 28 de março, marca a data de assassinato de Edson Luís Lima Souto, um estudante nordestino morto durante um protesto estudantil no restaurante do Calabouço, no Rio de Janeiro, durante o período da Ditadura Civil-Militar no Brasil. Ele tinha apenas 18 anos na época de sua morte, era um menino como dos muitos que buscavam meios de permanência no Rio para estudar o secundário.

O assassinato de Edson Luís tornou-se um símbolo da resistência estudantil à ditadura e contribuiu para aumentar a mobilização popular contra o regime autoritário, pois chocou até mesmo aqueles que apoiavam os militares. O episódio desencadeou uma série de protestos e manifestações em várias partes do país.

“A Passeata dos 100 mil” foi um dos eventos mais marcantes e significativos do período de resistência contra a Ditadura Civil-Militar no Brasil. Ocorreu em 26 de junho de 1968, no Rio de Janeiro, e reuniu uma multidão estimada em cerca de 100 mil pessoas, daí o nome. O evento ganhou ainda mais relevância após o assassinato de Edson, ocorrido meses antes, sua morte foi um catalisador para a mobilização popular e o aumento da resistência e insatisfação contra o regime.

A passeata foi organizada como uma manifestação pacífica contra o regime autoritário, em meio a um contexto de intensificação da repressão e censura por parte do governo militar. Os participantes da passeata incluíam estudantes, trabalhadores, intelectuais, artistas, religiosos e outros segmentos da sociedade civil que se opunham à ditadura.

No final daquele mesmo ano, 1968, como reação, os militares decretaram o Ato Institucional nº 5 (AI-5). O AI-5 representou um dos momentos mais sombrios e repressivos desse período. Este ato concedeu poderes extraordinários ao governo militar, suspendendo garantias constitucionais, reprimindo a oposição política e instituindo uma ditadura ainda mais dura.

Entre as medidas autorizadas pelo AI-5 estavam a possibilidade de fechar o Congresso Nacional, intervir nos estados e municípios sem necessidade de autorização judicial, suspender direitos políticos de qualquer cidadão por até dez anos, cassar mandatos políticos, entre outras medidas que visavam a supressão das liberdades civis e políticas.

O AI-5 marcou uma escalada na repressão do regime contra dissidentes políticos, ativistas, artistas e qualquer pessoa considerada uma ameaça ao governo. Este ato contribuiu significativamente para o aumento da censura, perseguição política, tortura e outras violações durante o período da ditadura.

Acender as velas
Já é profissão
Quando não tem samba
Tem desilusão
É mais um coração
Que deixa de bater
Um anjo vai pro céu

Zé Keti, 1965

Deixe um comentário