Rio Grande do Sul debaixo d’água e em luto: Saiba como ajudar!

Desde o final de abril fortes chuvas atingiram o estado do Rio Grande do Sul, diversos municípios foram inundados e milhares de pessoas perderam muitos pertences. O número de mortos já passa de 90 pessoas, o número de desaparecidos também aumenta, além do número de feridos e pessoas desalojadas e desabrigadas*. O jornal da USP diz que entre 24 de abril e 4 de maio choveu mais do que o esperado para 1 ano.

Uma das cidades mais atingidas é a capital do estado, Porto Alegre, com as fortes houve cheia do Rio Guaíba e além das casas, monumentos históricos, aeroportos, trens foram alagados. Além disso, várias cidades estão sem abastecimento de água, luz e barragens em várias regiões estão em estado de alerta. Outras cidades conhecidas como Santa Maria foram drasticamente atingidas.

Mercado Público de POA. Fonte

Quanto a causa, Pedro Cortês, professor da USP, afirma em entrevista que a situação que assola as cidades gaúchas tem relação com o El Niño, mas é intensificada com as mudanças climáticas.

“Nós temos uma forte zona de alta pressão na região central do Brasil que impede que as frentes frias prossigam em direção ao norte [… que] fez com que a umidade do Oceano Atlântico se desviasse: uma parte entrando pelo leste do Rio Grande do Sul e outra dando uma volta pela Amazônia e descendo pelo interior do País, chegando pelo oeste”

É imprescindível pontuar que inúmeras comunidades indígenas também foram atingidas pelas inundações. A Associação dos Povos Indígenas do Rio Grande do Sul (ArpinSul) está recolhendo doações.

Diversas entidades de movimentos sociais reconhecidas estão agindo para ajudar o povo, somam esforços as universidades e institutos federais gaúchos. São muitas campanhas acontecendo, indicamos a seguinte matéria que reúne uma lista de campanhas:
https://www.brasildefators.com.br/2024/05/03/em-meio-a-maior-tragedia-do-estado-acoes-solidarias-vem-para-trazer-um-alento-a-populacao

Inúmeros autores/as críticos mostram que a cobertura midiática (principalmente, televisiva) do sofrimento vivido pelos gaúchos é nociva e têm tentado despolitizar a situação. Sandra Bitencourt da UFRGS diz: “Já não temos nem Porto e nem somos Alegres“. Em um ensaio à Terra é Redonda, faz crítica a exploração midiática do sofrimento sem resposta a contradição da riqueza produzida pelo ogronegócio que explora a terra e as pessoas com os mais de 1 milhão de atingidos pelos temporais e enchentes.

Em outro texto-denúncia, Gerson Almeida diz:

“De modo geral, as vulnerabilidades aos eventos climáticos extremos estão fortemente relacionadas aos benefícios dados aos interesses do capital”

A crítica em questão vai em direção ao governo, já que no ano passado, em setembro de 2023, o RS também foi atingido por um fenômeno climático que deixou desabrigados, desalojados e 54 mortos. Neste sentido, Gerson questiona a ação do governo para elaboração de um plano de contingência e prevenção de uma nova tragédia, como a calamidade que acontece agora.

Eventos climáticos como este, mostram a emergência da transformação do nosso sistema produtivo que explora natureza e sociedade, deixando-nos em escombros.


*Pessoas desabrigadas perderam a casa e estão em abrigo público, enquanto a pessoa desalojada teve que sair de casa (não necessariamente a perdeu) e está em outro lugar (parente, amigo, etc).


Referências

ALMEIDA, G. A tragédia no Rio Grande do Sul. A Terra é Redonda. 2024. https://aterraeredonda.com.br/a-tragedia-no-rio-grande-do-sul/

BITENCOURT, S. Enchentes no Rio Grande do Sul. A Terra é Redonda. 2024. https://aterraeredonda.com.br/enchentes-no-rio-grande-do-sul/

Brasil de Fato. Sobe para 90 o número de mortos pelas enchentes no RS que afetam mais de 1 milhão de pessoas. 2024. https://www.brasildefato.com.br/2024/05/07/sobe-para-90-o-numero-de-mortos-pelas-enchentes-no-rs-que-afetam-mais-de-1-milhao-de-pessoas

Brasil de Fato. Senado deve aprovar nesta terça (7) decreto que reconhece calamidade pública no RS; mortes no estado após enchentes chegam a 90. 2024. https://www.brasildefato.com.br/2024/05/07/senado-deve-aprovar-nesta-terca-7-decreto-que-reconhece-calamidade-publica-do-rs

Brasil de Fato. Em meio a maior tragédia do estado, ações solidárias vêm para trazer um alento à população. 2024. https://www.brasildefators.com.br/2024/05/03/em-meio-a-maior-tragedia-do-estado-acoes-solidarias-vem-para-trazer-um-alento-a-populacao

Brasil de Fato. Cheias atingem 80 comunidades indígenas no Rio Grande do Sul; veja como doar. 2024. https://www.brasildefato.com.br/2024/05/06/cheias-atingem-80-comunidades-indigenas-no-rio-grande-do-sul-veja-como-doar

Jornal da USP. Chuvas no Rio Grande do Sul devastam o Estado, provocando mortes e o deslocamento de populações. 2024. https://jornal.usp.br/radio-usp/chuvas-no-rio-grande-do-sul-devastam-o-estado-provocando-mortes-e-o-deslocamento-de-populacoes/

OUL. RS tem milhares de refugiados climáticos, e não desabrigados e desalojados. 2024. https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/noah-scheffel/2024/05/07/rs-nao-tem-desajolados-mas-refugiados-climaticos.htm?cmpid=copiaecola

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