25 de abril – Revolução dos Cravos

A Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974, foi um grito por liberdade, democracia e solidariedade — valores que hoje são postos à prova diante do avanço da extrema-direita na Europa e no mundo todo. Em Portugal, onde o legado de abril, desde os anos 1970, representou resistência ao fascismo e à opressão, o crescimento de discursos xenófobos e ataques violentos contra imigrantes revela um retrocesso perigoso. A mesma nação que um dia derrubou uma ditadura com cravos e canções agora vê parte de sua sociedade ecoar o ódio.

A Revolução dos Cravos foi um levante militar e popular ocorrido em Portugal em 25 de abril de 1974, que pôs fim a uma ditadura que já durava 48 anos, conhecida como Estado Novo. O 25 de abril é celebrado anualmente em Portugal como o Dia da Liberdade, sendo considerado um marco fundamental para a democracia portuguesa.

Neste momento crítico, resgatar os ideais de abril significa defender uma democracia que não seja apenas formal, mas participativa. A Revolução dos Cravos não foi apenas sobre derrubar Salazar – o ditador; foi sobre construir um país onde “o povo é quem mais ordena”, como discutiram Marco Aurélio de Carvalho e Renato Afonso Gonçalves (A Terra é Redonda, 2022).

A lição da Revolução dos Cravos é clara: quando a democracia é ameaçada, só a mobilização popular pode garantir sua sobrevivência. Contra a xenofobia, é preciso lembrar que foram os capitães de abril — muitos deles veteranos das colônias — que decidiram acabar com a guerra colonial e abrir caminho para a reconciliação. Se hoje a extrema-direita europeia tenta semear divisão, Portugal deve responder com o mesmo gesto que Celeste Caeiro teve em 1974: oferecer não balas, mas flores; não ódio, mas esperança. Porque, como dizia Zeca Afonso em “Grândola”, a verdadeira revolução está em ver “em cada rosto, igualdade”.

Deixe um comentário