Margarida Alves: “É melhor morrer na luta do que morrer de fome”

No dia 12 de agosto de 1983, há exatos 42 anos, a voz de Margarida Alves foi silenciada por um tiro covarde na porta de sua casa, em Alagoa Grande (PB), diante de sua família. Mas sua luta, sua coragem e seu legado jamais foram apagados. Margarida, camponesa, sindicalista e defensora incansável dos direitos dos trabalhadores rurais, tornou-se símbolo de resistência contra a opressão do latifúndio e a violência no campo.

Quem foi Margarida Alves?

Nascida em 5 de agosto de 1933, descendente de indígenas e negros, Margarida cresceu em meio às injustiças do campo. Viu seus pais serem expulsos de suas terras e, desde então, dedicou sua vida a combater a exploração dos camponeses. Como presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande (PB), moveu mais de 600 ações trabalhistas, denunciando condições análogas à escravidão e exigindo direitos básicos, como carteira assinada, jornada justa e licença-maternidade.

Ela não lutava só por melhores condições de trabalho, mas também pela emancipação das mulheres em um ambiente dominado por homens. Incentivou outras camponesas a ocuparem espaços políticos e fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural, além de inspirar a criação do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (IPEMA) e do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais.

Margarida foi assassinada a mando de latifundiários ligados à Usina Tanques, que não suportavam sua firmeza na defesa dos trabalhadores. Os mandantes, como o usineiro Aguinaldo Veloso Borges e seu genro Zito Buarque, jamais foram condenados. O caso ficou marcado pela impunidade, mas sua morte não foi em vão.

Hoje, Margarida vive na Marcha das Margaridas, mobilização nacional que leva milhares de mulheres a Brasília a cada quatro anos para exigir direitos e justiça. Vive nas palavras das que seguem enfrentando o agronegócio predatório, a violência no campo e o machismo.

Mantenha viva a memória de Margarida Alves! Presente!

Arquivo Contag. Fonte: capiremov.org

Escrito com base nas informações em https://deolhonosruralistas.com.br/2019/08/16/de-olho-na-historia-i-margarida-maria-alves-da-luta-nao-fujo/

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