No dia 25 de fevereiro de 2026, o Brasil viveu um dia atípico na longa estrada da impunidade. Os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, o ex-delegado Rivaldo Barbosa e o ex-policial Ronald Paulo Alves foram condenados a 78 anos de prisão pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio contra a assessora que estava no carro.
A condenação chega após 8 anos de mobilização popular, pressão internacional e uma investigação que precisou desmontar as próprias engrenagens do Estado para chegar à verdade. Os Brazão, figuras com evidentes conexões com as milícias de Jacarepaguá, há muito atuavam num esquema que envolve grilagem de terras, especulação imobiliária em áreas irregulares e o domínio territorial via violência armada. Já Rivaldo Barbosa personifica a traição institucional: aquele que, investido do poder de investigar, usou seu cargo para embaralhar pistas e acobertar mandantes.
A milícia não é um fenômeno recente, mas sim o aperfeiçoamento capitalista do extermínio. Diferente do tráfico, ela se infiltra no Estado vestindo farda e mandato, controlando territórios inteiros sob o pretexto da “ordem” e da “segurança”, enquanto lucra com serviços ilegais e imóveis roubados.
Para quem deseja sair do lugar-comum da manchete e mergulhar na complexidade do caso, a Consequência Editora publicou obras que são verdadeiros mapas para navegarmos nesse cenário. Seguem três leituras indispensáveis:
📖 DOS BARÕES AO EXTERMÍNIO: Uma história da violência na Baixada Fluminense (2020, 2ª Edição), de José Cláudio Souza Alves
Ainda que o título não mencione a palavra “milícia”, esta obra é um retrato da formação dos grupos de extermínio e milicianos que dominam o Rio.
📖 A GUERRA NÃO TEM PAZ: Estudos sobre o sentido violento e destrutivo do fetichismo do capital (2024), de Marildo Menegat
Um olhar afiado sobre a violência a partir da lógica do sistema capitalista. Fundamental para conectar os pontos entre política, bala e dinheiro.
📖 GEOGRAFIAS NEGRAS DO GENOCÍDIO NEGRO BRASILEIRO: Enfrentamentos à antinegritude (2025), de Denílson Araújo de Oliveira
A obra mais recente e necessária para entender que o caso Marielle é a ponta do iceberg de um genocídio institucional contra a população negra.
A condenação dessa semana é uma vitória inegável da resistência! Mas, como nos ensina a literatura, a justiça não se resume a um julgamento. Que a sentença de 78 anos ecoe não apenas como manchete, mas como convite ao estudo e à transformação. Marielle, presente! Anderson, presente!




