Aquelas e aqueles que elegeram o fascismo para governar um país tropical e por no poder o núcleo duro das milícias, talvez defendam que a Amazônia deve mesmo arder até a última raiz de sarandi.

Crimes, diante da retórica de que não há mais politicamente correto e os direitos humanos são balelas para proteger bandidos, passaram a ser defendidos à luz do dia e das mídias sociais como se fossem apenas um exercício de liberdade de expressão. Não, são crimes previstos na constituição que querem rasgar.

Os eleitores do Messias, arrependidos ou não, devem saber que estão com suas mãos sujas de sangue e autorizaram com seu voto a violência, a destruição, a razia e a barbárie de que todos somos vítimas nesse momento histórico.

É possível que esses e essas eleitoras anunciem alguma inocência e que foram conduzidos ao engano, mas se assim o é já deveriam ter voltado às ruas para pedir que uma cópia mal-ajambrada de Nero, incendeie a Amazônia como se a floresta fosse uma Roma. A diferença, se não sabem os incautos, é que Roma pôde ser reconstruída, mas a Floresta Amazônica e tudo que a ela está consorciado de maneira sistêmica, levou milhões, bilhões de anos para existir.

As fogueiras que queimam árvores centenárias, são também as mesmas que abrem campo para o assassinato de indígenas e o roubo de suas terras. É a mesma fogueira em que devem queimar intelectuais, cientistas, universidades e dados de pesquisa como aqueles produzidos sob a direção do ex-presidente do INPE, que dizia a verdade acerca do avanço das chamas e que caiu de pé diante da insânia obscurantista do miliciano presidente. Caiu de pé dizendo a verdade e fiel a ela.

Hannah Arendt, certa feita, já nos alertou sobre a banalidade do mal e de como figuras como Adolf Eichmann pôde queimar milhões de seres humanos em câmaras de gás sob o pretexto, quase ingênuo, de estar cumprindo ordens. Cumprir ordens sem questionar nada é tudo o que querem os ingênuos para se justificar depois.

A questão da Amazônia em seu sentido amplo é civilizacional e humanitária, vamos ver como os eleitores ingênuos de um canalha que nem mesmo sabe ser polido, vão continuar a sujar banalmente suas mãos de sangue enquanto louvam a glória de Deus em algum culto xenófobo, racista e vingativo.

*Manoel Fernandes de Sousa Neto é Pós-Doutor pela Universidade do Porto, professor doutor no Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo e autor de Um geógrafo do poder no Império do Brasil, pela CONSEQUÊNCIA Editora.

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