O QUE VEM POR AÍ!

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SUSTENTABILIDADES NO TERRITÓRIO FLUMINENSE: DESAFIOS E POSSIBILIDADES
Glaucio José Marafon

Ao longo das últimas três décadas, o Rio de Janeiro esteve no centro dos debates globais sobre a sustentabilidade dos territórios face a cenários de crescente destruição dos suportes ambientais à vida na Terra e expansão de modelos econômicos que promovem desigualdade e segregação socioespacial. Neste sentido, este volume nos brinda com estudos de caso, atualizações teórico-conceituais e formulações de propostas de planejamento e gestão voltados à redução dos riscos desencadeados por um modelo de crescimento econômico desigual e ambientalmente deletério. As escolhas temáticas dos capítulos apontam para o surgimento de experimentos mais inclusivos e participativos de gerir os territórios, valorizando a resiliência histórica e físico-natural dos assentamentos humanos marginalizados, e trazendo para o centro do debate aspectos cruciais da diversidade cultural, do manejo dos recursos e da solidariedade nas relações do continuum socionatural que nos abriga. Os capítulos apresentam a inserção do estado do Rio de Janeiro dentro da nova rodada de transformação do capitalismo, na qual emergem ambientes de produção que incorporam inovação e criatividade como motores da dinamização econômica, tendo em mente que sua sustentabilidade depende do reconhecimento e da valorização das singularidades de cada território. – por Antonio Carlos de Barros Corrêa (UFPE)

ENTRE CONTINUIDADES, MUDANÇAS E NOVAS INSTITUCIONALIDADES
Políticas públicas e meio rural brasileiro nos governos Lula e Dilma (2003-2014)
Leonilde Servolo de Medeiros e Sergio Pereira Leite (orgs.)

O Observatório de Políticas Públicas para a Agricultura (Oppa), criado em 2005 por pesquisadores de várias universidades do Brasil e sediado no CPDA/UFRRJ, tem inovado os estudos de políticas públicas, analisando a política “se fazendo”. Metodologicamente, isso passa, entre outras iniciativas, pela observação participante dos espaços e arenas de debate e de decisão, pelas entrevistas com atores dessas políticas, tomadores de decisão, gestores e beneficiários. O livro que comemora os 20 anos do Oppa, organizado por Leonilde Medeiros e Sergio Leite, se concentra nas políticas públicas para o meio rural brasileiro de 2003 a 2014. Reúne em 12 capítulos as contribuições de 20 autores.

Os dez anos passados desde o fim desse período permitem, ao mesmo tempo, uma contextualização e uma distância crítica do objeto de pesquisa, mas não tiram a qualidade da observação e da dinâmica das trajetórias analisadas. Dois capítulos se voltam para o delicado papel dos gestores das políticas. Outros tratam do processo de participação social inaugurado ou ampliado nesse período, como o significado dos conselhos, em particular para a política de apoio à agricultura familiar ou à Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Instrumentos-chave como crédito rural, previdência social, Bolsa Família são destacados. A institucionalização da dualidade de políticas entre o agronegócio e a agricultura familiar é analisada desde sua implementação, no governo FHC. Finalmente o Posfácio evoca o desmonte das políticas direcionadas à agricultura familiar a partir de 2016.

Esta coletânea, densa tanto pela riqueza do material e das referências acumuladas, quanto pela qualidade e sutileza das análises aprofundadas, constitui apenas uma parte da produção do Oppa nestes 20 anos. Mas testemunha a capacidade de leitura de mecanismos e processos complexos, de modo a evidenciar para o leitor os desafios e debates das dimensões técnicas e estratégicas da política pública para a agricultura e meio rural. – por Eric Sabourin – Cirad, Unidade de Pesquisa ART Dev, França e PPG Mader, UnB, Brasil.

ESPAÇO VALOR E DESIGUALDADE
Visibilizar o passado, compreender o presente e prefigurar futuros
Alvaro Ferreira, João Rua, Sandra Lencioni, Gustavo Godinho Benedito e Ernesto Gomes Imbroisi (orgs.)

Um dos nexos aglutinadores que parece atravessar a maior das discussões deste livro diz respeito à teoria do valor em suas diversas manifestações categoriais: valor de uso, valor de troca, antivalor, não valor, renda e reserva de valor. Todas estas manifestações teóricas explicitam-se espacialmente, por exemplo, nas problemáticas relações sociedade-natureza, nas permanentes tensões para a delimitação de áreas protegidas e de terras indígenas e na constituição de precariedades, periferias e favelas como valor em reserva para o capital.

Temos uma perspectiva analítica bastante instigante sobre as noções de valor, não valor e mais especificamente antivalor como um elemento central de antagonismo à lógica capitalista. A tríade valor, antivalor e não valor, nesse contexto, desponta como um poderoso instrumento analítico para a compreensão das contradições da produção capitalista do espaço e, ao mesmo tempo, permite identificar e apontar caminhos e trajetórias possíveis para a sua superação. Se o valor representa a lógica dominante que subordina o espaço à acumulação e à reprodução do capital, o antivalor e o não valor apontam para as resistências e as alternativas que se desenvolvem nas fissuras e contradições do sistema, sem perder de vista o horizonte criativo dos diferentes sujeitos sociais que produzem cotidianamente outras espacialidades possíveis — outras socialidades possíveis. Nessa perspectiva analítica, o antivalor pode ser entendido como a possibilidade da negação ativa, bem como da luta contra a imposição do valor. É a expressão da rebelião e da resistência contra a mercadificação da vida e a subsunção da atividade humana à lógica do capital. Assim, na negação do valor prefigura-se, na sua essência, o futuro!


Em breve todos estarão disponíveis no site da Consequência Editora:
www.consequenciaeditora.com.br

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